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Gente, tem alguém que ainda não conhece o Bach's Project, do Michael Lawrence? É disso que o título desse post tem a ver com - quem pensou outra coisa: não, esse blog não virou um daqueles que só abordam "papo calcinha" - nem sutiãs, nem cuecas, nem ceroulas, o Na Linha orgulhosamente vive de CULTURA.
A cantata em questão no vídeo acima é Jesus bleibet meine Freude (Jesus permanece minha alegria), mas conhecida em português como "Jesus Alegria dos Homens". Ontem, o Michael mandou esse link para os fãs do projeto. Trata-se de uma propaganda japonesa de celular. AMEI.
Aproveito a oportunidade para postar mais duas gravação EXTRAORDINÁRIAS da mesma música.
A primeira é de Baden Powell. O código de incorporação não estava disponível, então coloco apenas o link aqui nessa captura de tela:
A outra, é a orquestra Vienna Concentus Musicus, regida por Nikolaus Harnoncourt, acompanhada do Coro Arnold Schoenberg e dos cantores Ian Bostridge, Christine Schäfer, Bernarda Fink, Anne Korondi e Christopher Maltman. Harnoncourt, para quem não sabe, é especialista em Bach.
Jesus alegria dos homens é o coral final da cantata "Herz und Mund und Tat und Leben (Coração e boca e ações e vida), escrita por Johann Sebastian Bach em 1716.
Isso tudo só para concluir que a minha cantata favorita é outra. Aqui, Harnoncourt novamente na regência: "Mein Freund ist mein und ich bin sein" (meu amigo é meu e eu sou dele).
Grupo Tiempo Libre, de Cuba, que fez o CD "Bach in Havana"
Quem já acompanha este blog há algum tempo talvez se lembre dos posts (Conversando com Gould e Bach e a Copa) que eu fiz mencionando o projeto do Michael Lawrence, o Bach Project, que resultou no DVD maravilhoso "Bach & Friends". Pois agora, o Michael está iniciando a segunda etapa do projeto, que resultará em outro DVD, "Bach & More Friends". O objetivo? Basicamente o mesmo do primeiro DVD: mostrar para uma audiência a mais ampla possível o que é que o alemão tem...
E não é que tem até balangandã? Entre outras participações, está esse simpático grupo cubano aí da foto, o Tiempo Libre, que trouxe o João Sebastião para um universo de jazz afro-cubano, numa salada total. Essa música do Youtube é uma conga chamada "Tu Conga Bach". Que tal? (A Sony não permite que o Youtube deixe o código de incorporação). Por conta desse CD, eles foram indicados ao Grammy na categoria "Melhor Álbum Tropical" (hein????).
Dentre as novidades, o que eu mais gostei foi da participação da percussionista japonesa Mika Youshida tocando marimba, não só porque eu adoro o instrumento como acho que combina bem mais com a música de Bach. E Mika é considerada uma das melhores marimbistas (maribeiras?) da atualidade.
Aqui um vídeo dela (mas não está tocando Bach):
Michael Lawrence também anuncia a volta do brasileiro João Carlos Martins regendo a Suíte número 3 para orquestra, com a Filarmônica Bachiana.
"There is something incredibly direct about Bach's music that will always be appealing, /.../ something that rings so true when you hear music that is based on something small like that. It stimulates the mind, perharps it imitates life itself."
(Joshua Bell - depoimento para o DVD Bach's Project)
"Há algo de incrivelmente direto na música de Bach que a torna eternamente atraente, /.../ que soa tão verdadeiro quando você escuta música que é baseada em algo tão pequeno. É estimulante para a mente e talvez seja mesmo uma imitação vida."
100% das pessoas que me conhecem sabem do meu pouco apreço por esportes em geral e eu confesso que tenho uma idéia muito vaga do que os jogadores de futebol estão fazendo em campo, exceto quando há um gol. O que não me impede de, independente do nível (zero) de conhecimento, vestir a camisa amarela e torcer para o meu país durante os jogos da Copa, com direito a bandeira e tudo. Dessa vez, porém, algo além dos avanços do time brasileiro me alegrou: a chegada, na véspera do terceiro jogo do Brasil, do set de DVDs do projeto Bach do Michael Lawrence, sobre o qual eu já comentei aqui no post sobre Glenn Gould.
Essa é a participação no projeto do havaiano Jake Shimabukuro tocando Bach no Ukulele. Um charme!
Como eu não posso dizer NADA sobre os jogos da Copa sem cair no ridículo, então aproveito para falar mais um pouco sobre esse projeto maravilhoso. O DVD duplo se chama Bach & Friends e traz a interpretação e o depoimento das pessoas mais variadas do mundo da música (e fora dele).
Joshua Bell interpreta e comenta a melodiosa e rica Ciaccona de Bach
São eles: o maestro e cantor Bobby McFerrin, o bandolinista Chris Thile, o compositor Philip Glass, o violinista Joshua Bell, o grupo Swingle Singers, o pianista e improvisador Johan Bayless, o baixista Edgar Meyer, o médico e neuro-cientista Dr. Charles Limb, o violonista Manuel Barrueco, entre outros. Há inclusive um ukuleleista (!): Jake Shimabukuro - o ukulele trata-se de uma variante havaiana do cavaquinho. E ainda um Game Designer, Sid Meier, que juntou a paixão por games e a paixão por Bach para criar um game que virou hit: o CPU Bach. E eu não podia deixar de comentar a participação especial também do pianista brasileiro João Carlos Martins, que conta um pouco da sua relação com o compositor e a sua comovente trajetória de superação.
Robert Tiso na harpa de vidro interpreta a Toccata em Ré menor.
Ou seja: Bach e o time do Brasil batem um bolão!!!!
O DVD duplo pode ser adquirido pelo site do Michael, é super fácil e eu recomendo! Ah sim, ia esquecendo. O que o set de DVDs tem que não está online: ele traz as performances em um segundo DVD separado, sem os comentários, na íntegra. Além disso, o próprio DVD com as entrevistas traz três opções de idiomas nas legendas (não tem português, mas tem espanhol e italiano). Como diz seu Creisson, eu AGARANTIO !!!!
I believe that the only excuse we have for being musicians is to make it differently.
Glenn Gould
( Eu acho que a única desculpa que nós temos para sermos músicos é de fazê-lo de modo diferente )
Não é de hoje que eu sinto falta de falar sobre Bach, um constante tema de pesquisa e um dos primeiros posts nesse blog, em 2005 e lá vai fumaça. Mas como ultimamente eu ando lendo o livro de entrevistas Conversations with Glenn Gould e, por conta disso, ouvido MUITO Gould no meu iPod e no carro e até buscado tocar umas peças de Bach inspirada por ele, resolvi falar deste que é um dos mais importantes músicos do século XX.
Há mil e quinhentas fontes de informação sobre Glenn Gould, o excêntrico-genial-sexy-autista-hipocondríaco-filósofo-divertido pianista e tantos outros epítetos dirigidos a ele, mas recentemente há três projetos na internet falando sobre ele, sobre os quais eu gostaria de comentar aqui. O primeiro, está inserido no grande Bach's Project de Michael Lawrence, que envolveu um conjunto de ações ligadas à obra de Bach, principalmente a gravação de vídeos com os mais diferentes intérpretes tocando Bach - de músico pop a Joshua Bell. O vídeo que fala de Gould é este aqui abaixo, mas eu recomendo todas as entrevistas e performances para os que amam Bach como eu. Eu já adquiri o meu set de dois DVDs do projeto, entitulados "Bach & Friends", ele pode ser comprado aqui. A pré-estréia mundial foi no último dia 16 de maio, no Simphony Space, em NY.
Aqui, o vídeo de um dos que participam do Bach & Friends, o roqueiro bandolinista americano Chris Thile, tocando um Prelúdio em Mi Maior de Bach:
O outro vídeo já foi lançado agora e chama-se The inner life of Glenn Gould (A vida interior de Glenn Gould), que, entre outras revelações muito pessoais sobre o músico, trouxe a bombástica revelação da ex-amante de Glenn Gould, que era esposa de um compositor amigo seu, Cornélia Foss (na foto aqui abaixo, pouco antes de abandonar seu marido para ir morar com Gould no Canadá):
O terceiro é um programa em cinco edições feitas para a TV Canadense, chamado The Life and Times of Glenn Gould. Os cinco filmes podem ser vistos aqui:
E aqui eu posto a interpretação de Gould para a transcrição do concerto de Marcello (BWV 974) só para dar uma noção do que é toda a alegria, criatividade e potência desse incrível intérprete:
Como o vídeo Bach & Friends demonstra bem, cada pessoa é afetada diferentemente com o trabalho de Glenn Gould e o que mais me atrai nele é uma espécie de força vulcânica vital, uma espécie de larva quente que toma conta do ambiente quando se escuta, digamos, as Variações Goldberg. Eu concordo totalmente com Chris Thiler quando disse que Gould era puro rock & roll, desde a primeira nota, a intensidade com que ele se entrega a estas peças quase fora de moda quando ele optou por elas, em deterimento a um repertório romântico, tão conhecido dos pianista se das platéias, mostrando uma vitalidade não apenas musical, mas também da razão de ser da própria criação artística.
Para mim, a experiência musical através de Gould e, em particular a sua versão de Bach, é algo que me toca na alma mesmo. Faz tanto tempo que eu gosto de Bach, eu comecei a estudar música muito cedo, que eu não sei ao certo quando eu comecei a me interessar pelo compositor...mas eu lembro nitidamente o dia em que eu, aos 19 anos, escutei Glenn Gould pela primeira vez em uma loja de discos clássicos. Eu não podia mais me separar daquele CD (era a gravação das Variações Goldberg de Bach). Cheguei em casa, coloquei o CD no som e parece que eu entrei em um mundo novo: assim é a experiência com Gould.