Wagner Moura fará o papel dos gêmeos em Dois Irmãos, a minissérie dirigida por Luiz Fernando Carvalho, prevista para o ano que vem, na Globo. A minissérie é uma adaptação do romance homônimo de Milton Hatoum e se passa em Manaus. O ator fará os papéis principais, os gêmeos Yaqub e Omar, que se odeiam durante toda a vida (alguém leu Esaú e Jacó de Machado de Assis? Pois saibam que essa não é a única semelhança entre os dois romances).
Ao final da introdução do famosíssimo Os cinco paradoxos da modernidade, (à venda na Estante Virtual) Antoine Compagnon pergunta: "O pós-moderno é o cúmulo do moderno ou o seu repúdio? O culto do futuro foi abolido? Estamos curados da superstição do novo?"
O livro é de 91 e Compagnon foi o "lanterninha de cinema" de muito estudante de letras e artes em geral (inclusive da autora deste blog), facilitando o caminho para quem já chegou no meio do filme. Quando decidi falar de nossa produção literária atual, só consegui lembrar dessas frases de efeito. Pois alguma coisa acontece na literatura brasileira. Não se pode chamar de "movimento" mas há um grupo crescente de autores cuja obra faz ressonância a uma literatura de - digamos - Flaubert e Machado de Assis.
Cadê a inventividade, a desconstrução das formas, o choque térmico? Os iconoclastas existem, mas parecem padecer no limbo dos "nichos" acadêmicos. Esqueçam a denúncia social de autores dos anos 50, ou a literatura das profundezas intimistas de uma Clarice Lispector (embora seja possível reconhecer aqui e ali uma certa linhagem dela em Adriana Lisboa), ou o Sertão metafísico de Graciliano Ramos, o que se vê é um modo de narrar que muito se assemelha ao realismo e ao seu apego ao dia-a-dia, ao jornalismo, à televisão, à internet.
O cinema, que havia sido ferramenta tão inteiramente renovadora para os escritores do Nouveau Roman (lembram? fiz um post sobre isso aqui), como Marguerite Duras, Robbe-Grillet e Beckett, agora é o contrato social do autor com seu público. Imaginário de reconhecimento e autoreferencialidade. E não à toa vários deles tiveram ou terão suas obras adaptadas para o cinema/televisão. Vamos aos nomes: Milton Hatoum, Daniel Galera, Cristóvão Tezza são alguns deles.
Apenas Milton Hatoum terá esse ano, além de Dois Irmãos para a televisão, duas obras adaptadas para o cinema: Relato de um certo Oriente e Órfãos do Eldorado. (ver matéria aqui).
É por ele que eu começo a série (nos próximos capítulos...).
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